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sábado, 6 de agosto de 2011

Sim! Você...

...pode ser uma óptima contadora de histórias!~

A ideia de contar histórias a um bebé que não consegue entender totalmente o que está a dizer parece-lhe estranha? Não deveria. O facto de inventar histórias para o seu bebé oferece inúmeras vantagens.
Em primeiro lugar, ele está numa idade em que absorve rapidamente a linguagem e começa a processá-la. Ouvir a sua voz — sob a forma de frases cativantes estruturadas como histórias — ajuda a estimular o seu próprio desenvolvimento da fala.
Contar histórias também é uma actividade divertida para se partilhar. Além disso, a prática que adquirir com um público em adoração torná-la-á ainda mais confiante como contadora de histórias quando o seu filho crescer e ouvir fascinado o seu conto.

Comece com uma história simples!

Não conhece nenhuma boa história para crianças? Não se preocupe. Fale simplesmente sobre si e sobre o bebé. Invente histórias como "A nossa grande viagem até à mercearia" ou "Quando eu era bebé". À medida que a criança crescer, gostará cada vez mais ouvir falar de si mesma.
E não se esqueça dos contos de fadas e histórias infantis clássicos que pode contar com as suas próprias palavras. Encontrará inúmeros destes livros em bibliotecas e em livrarias com artigos novos e em segunda mão, no caso de a sua memória precisar de um empurrãozinho.

Anime a história!

Conseguirá prender a atenção do bebé usando ocasionalmente sons inabituais. "Depois ouvimos ããoo! ããoo! e vimos um cãozinho tonto a comer a bolacha." Ou, "O pintainho andava à procura da mãe e dizia piu piu piu." O conto tornar-se-á ainda mais interessante se mudar a voz para um tom mais agudo ou mais grave e usar diversas expressões faciais.

Repita-se!

As repetições tornam as histórias mais interessantes para qualquer ouvinte. Pense nos três porquinhos que diziam repetidamente "Não, não abrimos" e no grande lobo mau que soprava e soprava mais. Os elementos recorrentes também ajudam a sua criança a familiarizar-se com uma história à medida que as vai repetindo — o que reforça a sua confiança e o seu prazer.



Altere a história!

Não se sinta obrigada a contar a versão tradicional de uma história. Não hesite em embelezar, alterar cenas, ou até mesmo o fim. O bebé ainda é novo para se importar de ouvir a mesma história contada de forma diferente de cada vez — afinal de contas, é o som da sua voz que ele acha mais encantador.
 
Nota:

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sugestões do PNL

O Plano Nacional de Leitura apresenta-nos várias sugestões de livros. Algumas são bem interessantes. Tenho vindo ao longo dos últimos dias a colocar aqui no blogue algumas dessas escolhas.

Hoje, saímos dos bebés e vamos ver alguns livros escolhidos para a Educação Pré-escolar:


Da editora Paulinas, chegam-nos histórias, mitos e lendas de países e povos que também falam português.
"Este livro (com)funde o longe e o perto: de um lado, contos que trazem «vozes dos vários mundos falantes da Língua Portuguesa», recolhidos em Portugal (incluindo as comunidades cigana e indiana), Macau, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor e São Tomé e Príncipe; do outro, «histórias de meninos» contadas pelos próprios: histórias pessoais ou sobre os respectivos países e as suas tradições culturais, poemas, canções… Um excelente instrumento de trabalho para professores, catequistas e formadores, mas também uma forma cativante de conhecer o mundo, em casa, em família. Co-edição com o Secretariado Entreculturas do Ministério da Educação, este livro é um importante contributo para a compreensão e aproximação dos povos que falam a Língua Portuguesa."


Da Ambar, chega-nos um livro com quatro histórias de embalar. Contos de encantar e de sonhar, com princesas belas, sapos que são princípes e muita fantasia.
"As crianças ficarão encantadas com esta obra maravilhosa, que reúne quatro dos contos de fadas mais conhecidos. As magníficas ilustrações de Susie Lacome, bordados com pormenores em relevo, dão um toque único a cada página, fazendo deste um livro verdadeiramente especial."


E amanhã, há mais!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Dos tempos...

... que passam nascem histórias, contos de vidas que passaram e deixaram as suas marcas. Seja nas memórias, seja nas rugas de quem as conta com a emoção a aflorar aos olhos que já mal vêem o ouvinte de cujas mãos apertam nas suas, para sentirem o carinho e o conforto da presença humana.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os vários sentidos dos contos de fadas

Como já abordei aqui, os contos de fadas e as suas personagens, permitem às crianças desde tenra idade auto-construir a sua própria personalidade e ver espelhados os seus receios e angústias mais prementes. Além de a distrair, ele "promove o desenvolvimento da sua personalidade."
"A criança precisa de ideias sobre como pôr a casa interior em ordem e, nessa base, conseguir dar certo sentido à sua vida."(1)

No entanto, nem sempre assim se sucedeu. Na sua origem, "quando foram criados, os contos de fadas não eram destinados às crianças. Tinham o objetivo de solucionar, resolver problemas adultos."(2)


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

António Torrado

Andava aqui nas minhas pesquisas quando descobri uma grande memória da minha infância: António Torrado. Eu adorava as histórias dele e, confesso que ainda me fascinam. Continuo a adorar um bom livro. Aqui ficam algumas narrativas e um pouco da história deste tão grande homem e escritor.

Esta é pequenina, só para começar...

A bola de pingue-pongue:

Era uma vez uma bola de pingue-pongue.


Um dia, a bola de pingue-pongue disse assim:

- Já chega de andar aos trambolhões de um lado para o outro: encontrão daqui, safanão ali, toma lá, dá cá e volta ao princípio, numa roda viva entres duas senhoras raquetes. Afinal nunca passo da mesma mesa.

Realmente, aquela vida de tão, badalão, e torna e deixa o pingue e pongue e pongue e pingue cansava qualquer um, quanto mais uma bola de pingue-pongue com aspirações a outros voos?

- Ainda se fosse uma bola de futebol - suspirava ela. - Corria o campo de lés a lés e, quando fugisse para dentro das redes, punha tudo a gritar: goooolo! Era mais emocionante. Mas, mesmo assim, deve haver melhor destino.

É que havia mesmo. E a pequenina bola de pingue-pongue queria conhecê-lo. Ser bola de futebol, de basquetebol não lhe bastava. O que ela queria era correr mundo!

E foi. Saltaricou da mesa para o chão, desceu escadas, escorregou por colinas, e foi ter - vejam bem a sorte que ela teve! - e foi ter a um sítio muito especial, que era assim a modos que um centro espacial. Deste centro especial espacial atiravam para os céus bolas e bolinhas, que uma vez lá de cima, a dançar no meio dos astros, lançavam para a terra uns sinais esquisitos - bip! bip! bip! - como se fossem grilos? Mas não eram grilos essas bolas espaciais. Eram satélites dos artificiais.

- Se as outras conseguem, também eu hei-de conseguir - pensou a bola de pingue-pongue.

Ela que sabia dizer "pingue" e "pongue", e "pongue" e "pingue", depressa aprendeu a dizer "bip!" "bip!" "bip!". Não custava nada.

E lá foi pelos ares, viajante do espaço, à roda do mundo, tão redondo como ela.

- Ena tantas bolas! - exclamou a bola de pingue-pongue, quando se viu lá no alto, a rodar entre planetas. - Afinal somos todas da mesma família. Umas maiores, outras mais pequenas, mas redondas todas. Que seria do mundo, se não fossem as bolas?

E, de contente que estava, soltou um "bip! bip!" mais forte, que atravessou o espaço e atarantou as estrelas lá do fundo.

- Tirem-me de ao pé de mim este satélite maluco. Não consigo dormir em paz - gritou a Lua, que é assim uma espécie de bola de pingue-pongue, mas em grande.

Os sábios fizeram a vontade à Lua e mandaram descer a nossa bolinha de pingue-pongue.

- Estou satisfeita - contou a bola, ao regressar à Terra. - Vi o que queria e fiquei consolada de ver tantas bolas irmãs a navegar pelo céu. Agora quero repousar.

Mas onde? Numa gaveta não parecia bem. Era um fim pouco digno para uma bola que correra tantas aventuras. Então um dos sábios, olhando para o calmo jardim do centro espacial, teve uma ideia - ou não fosse ele um sábio?

Equilibrou-a no alto de um repuxo no meio do tanque do jardim.

Depois de ter visto tudo, de ter rolado e saltitado pelo espaço além, a bola descansa, a recordar o que vira. E suspira, satisfeita:

- Está-se bem aqui.

domingo, 1 de novembro de 2009

Contos de ida e volta

Olá.
Num dos blogs que costumo visitar, descobri uma ideia muito gira: Os contos de ida e volta.
Esta é uma das várias formas para cativar as crianças para as histórias, os livros e a leitura.
É uma forma de lhes instuir o gosto pelo cuidar dos livros e dos adereços e despertar-lhes o interesse pelas letras e pela leitura.

Uma ideia diferente para animar a hora do conto, com alguma criatividade e de fácil execução (dependo dos adereços que usemos claro).

Visitem:

http://caixinhadesorrisos.blogspot.com/2009/06/contos-de-ida-e-volta_24.html

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bruxas más. Fadas boas...

Aqui vos lanço em primeira mão a Bruxa Filó.
Será uma bruxa? Será uma Fada?
É uma fada sem asas, mas passeia pelo Mundo fora na sua vassoura.
É uma bruxa boa que gosta de animar as crianças com fome e frio.
Faz magia, sabe truques e sabe contar histórias.
Não a querem nos castelos, nem a deixam voar nos palácios.
Os adultos não acreditam nas crianças que a vêem, mas meninos e meninas por todo o Mundo a guardam no seu imaginário... e por isso ela apesar de tudo é uma bruxinha feliz!

Aqui vos deixo a Filó.
Fada ou Bruxa, como mais gostarem dela.


Elsa Filipe

A Bruxa Filó

Era uma vez...


Uma Bruxa muito velha, sentada num banco de madeira em frente a um caldeirão a fumegar. Na cabeça trazia um chapéu bicudo, velho cheio de pó. E vestia-se de preto, como só as velhas, muito velhinhass se vestem.
Tinha 135 anos. Já tinha morado em 23 países diferentes e conhecido muita gente e muitas culturas.
Agora, vivia na cave do João e só ele sabia que ela ali estava.
Só ele a via.

Quando era nova, a bruxa Fíló tinha muitos amigos e viajava imenso. Nessa altura, o seu aspecto era outro, as roupas mais claras, a pele menos enrugada e todos gostavam dela porque era bonita. Porque Filó era uma bruxa boa. Mas, perguntam vocês, as fadas é que são boas! Nos contos as bruxas são más! Pois é. Assim se passa em muitos contos de encantar, mas no mundo das histórias também há pessoas diferentes e os seres mágicos também têm as suas particularidades.

A Filó era uma fada pequenina, que olhava da sua janela as outras fadas a voar de flor em flor, a subeir bem alto e a descer em piruetas. Ela olhava e aguardava muito ansiosa que as suas asas despontassem, mas o tempo passava e isso nunca aconteceu.

Filó era uma das raras fadas que nasciam sem asas. Por algum motivo ela era diferente e quando mais nova, observava as outras fadas suas irmãs, todas com asas como as borboletas, mas a Filó nasceu sem asas e por isso usava uma vassoura mágica para se deslocar de um lado para o outro.
As outras fadas riam-se dela. Chamavam-lhe bruxa, mas ela não se zangava com elas. Por vezes, deixavam-na sozinha quando iam voar todas juntas, mas Filó não se importava. Ela era feliz assim como tinha nascido e não precisava de asas para visitar os seus amigos.

Se fosse uma fada com asas, como as dos contos, Filó faria magias para as Princesas nos Castelos, mas sem asas e com a sua vassoura voadora, a bruxinha não era querida nos palácios. Assim, ela preferia visitar as crianças pobres nas aldeias e, como sabia alguns truques, animava as suas manhãs frias e dava-lhes alegria nos dias de fome. E os seus sorrisos faziam-na muito mais feliz que as riquezas dos castelos.

Agora a bruxa Filó, já estava velha e vivia com um menino, na sua cave, onde só ele e mais ninguém, sabia onde ela estava. E era feliz assim.

Elsa Filipe

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A hora do Conto

A "Hora do Conto", "O cantinho das Histórias", uns almofadões, um fantoche, um livro, uma manta de retalhos, enfim, um momento agradável para partilhar com as nossas crianças.


O trabalho com contos clássicos torna estes momentos muito atrativos, dinâmicos e próximos da realidade das nossas crianças.


Com os contos, estimula-se a imaginação e a criatividade das crianças, completando-se a leitura de uma história com actividades lúdicas e que as levam a envolver-se no enredo. As crianças identificam-se com a história da sua personagem favorita, sentem as suas alegrias e as suas tristezas como se fossem suas, construindo paralelos com a sua própria vida.


Os contos são fábricas de imaginação e de novas experiências. Eles possuem cheiros, cores e sabores e ao ouvir histórias a criança entra num mundo cheio de magia, sonho e fantasia.


O conto tem a capacidade de criar novas perspectivas de vida e o hábito de leitura é criado por estes pequenos, mas tão importantes momentos! A criança re-inventa os contos, interage, relaciona-se com as outras personagens, com o mundo encantado da história. Quer entrar no barco e navegar como Sinbad, sente medo do lobo da floresta e da sombra das árvores, mas também sente a alegria da Cinderela quando encontra o seu Princípe...
Os adereços ajudam nestes momentos a tornar os contos mais reais, mais palpáveis e a despertar o interesse das crianças para a narrativa.


Os momentos da Hora do Conto criam uma cumplicidade entre o educador e a criança, além de aumentar os laços afetivos e a confiança entre ambos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Outono



A última castanha




Era uma castanha que estava como as outras, pendurada de um castanheiro.




Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si.




Só que esta não caiu.


- Estou bem onde estou e não quero aventuras – dizia.

Uma a uma, as outras dos ramos iam caindo e rebolando pelo chão, protegidas pelo cobertor ouriçado que as cobria até ao nariz.

Nariz é modo de dizer…
Vinham os garotos, estalavam-lhe os ouriços e metiam-nos nos bolsos.


A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.

- A mim não me levam eles – dizia.


Era a única que sobrava em todo o castanheiro. As folhas a fugirem da árvore, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes.




Unhas e dentes é um modo de dizer…

Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz.

Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo.

Um sabor de vitória que a ouriçou toda.

- Ai que vou cair – gritou.

Mas, no último instante, conseguiu agarrar-se.

Ainda não era daquela.

Entardecia. Um grupo de gente acendera uma fogueira, junto ao castanheiro.

Os garotos, que tinham andado às castanhas, e os pais dos garotos e os amigos dos garotos riam e cantavam.

Estavam a preparar o magusto da noite de São Martinho.

A castanha solitária, no alto do castanheiro nu, estranhou a vizinhança. E intrigou-se.
Que estaria a passar-se?
Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última.
O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava?
Foi. Caiu.

E a história acaba aqui.

Paciência.

É o destino das castanhas.

Destino é um modo de dizer…




Autor: António Torrado

Maria Castanha

Maria Castanha:

O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.

Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,
crac – debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.

Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? – perguntaram-lhe.
- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .
- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?
- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar.
A Maria Castanha corria mais do que todos.
- Quem me apanha? Ninguém me apanha!

- Ninguém apanha a Maria Castanha!
Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!
O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.

A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.
- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.

- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.

- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.
E os outros ajudaram também.

Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.
- onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.
- Foram à procura de emprego.
- E tu?
- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.

- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.

E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.
Depois, disse:

- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?
- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.
- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.
- Pois vais saber como é bom.
E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!
- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.
- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.
Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.
E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.

- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?

A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.

É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.


Autor: Maria Isabel Mendonça Soares,” Contos no Jardim”.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O conto Infantil


Olá a todos, sejam muito bem vindos.
Tenho uma paixão imensa pelos Contos Infantis, principalmente os mais tradicionais, popularmente contados, transmitidos pela oralidade do povo. A esses se juntam as cantilenas, lenga-lengas e provérbios, fábulas, lendas e adivinhas, tanto e tão rico material para levar ao entusiasmo pela leitura.

Os livros servem para tocar, folhear, desfolhar, ler, brincar, cheirar (hum, tão bom o cheiro de um livro acabado de comprar...), é um objecto pessoal, de pertença, mas também de partilha. Não é apenas um livro.


Hoje em dia, existem dúzias de livros que gostaria de possuir pelas suas ilustrações e pelas histórias que contam. Num livro infantil, as ilustrações são muito importantes na medida em que fazem a criança ver a narrativa com outros olhos, permitindo-lhe "ler" a história à sua própria maneira mesmo sem saber juntar as letras.

http://www.doiscontigo.blogspot.com/
Como educadora, considero de extrema importância ler livros e contar histórias. Inventar nunca está fora de questão, bem como deixar as ideias das próprias crianças fluir e serem elas a contar as suas histórias.

Os contos de fadas permitem à criança sonhar, mas também são uma forma de transmitir sentimentos e estados de espírito: medos, sonhos, receios, paixões, emoções...

Não concordam?

domingo, 2 de agosto de 2009

Aladino

Aladino




Numa cidade, vivia Aladino e a sua mãe. Eles eram muito pobres.
Um dia, aproximou-se dele um homem que o chamou. Tinha jeitos
de ser nobre. Disse que era seu tio e ofereceu-lhe um anel.

Pediu que o
acompanhasse e,
como se de uma ordem se tratasse, Aladino obedeceu. De
repente, o solo abriu-se e Aladino viu uma pedra com uma argola amarela como o
ouro e o homem disse a Aladino:
- Levanta-a que é um tesouro.

Aladino obedeceu ao homem, que era um mago.
Ao levantar a pedra, uma cova abriu-se a seus pés.
- Desce e verás um tesouro monumental. - disse-lhe o mago.

Aladino desceu e viu riquezas fantásticas: moedas de ouro, pérolas
diamantes... mas depressa o mago gritou:


Graças ao génio, Aladino apresentou-se no palácio do sultão num coche de ouro,
carregado de riquezas para a princesa.
O Sultão, ao ver que
Aladino era bom,
jovem e rico, concedeu-lhe a mão de sua filha, herdeira do trono. E casaram-se.
Um dia, o malvado do mago apareceu-lhe disfarçado de mercador e trocou a
lâmpada mágica por outra que não tinha poder mágico.
O mago, na posse da
lâmpada mágica esfregou-a e pediu ao génio que lhe levasse o palácio e a
princesa para um país longínquo e desconhecido.
E assim aconteceu.
Quando Aladino se apercebeu do que lhe tinha acontecido, lembrou-se que
ainda tinha o anel e portanto um geniozinho.
- Traz-me a minha querida esposa, a lâmpada mágica, o meu palácio e envia esse mago maldito para um lugar de onde nunca mais possa voltar.
Dito e

Aladino e a esposa, viveram muitos anos e foram muito felizes.


Vitória, vitória... acabou-se a história!
- Traz-me imediatamente essa lâmpada.
Aladino pegou na lâmpada e ficou emudecido, contemplando-a
maravilhado. E por essa razão, o mago enfureceu-se e deu-lhe um castigo:
fechou-o na cova.
Aladino pediu socorro e ao rodar o tal anel, que o homem
lhe oferecera, apareceu-lhe um génio, que lhe perguntou amavelmente:
- Que desejas meu amo?
- Quero sair daqui, ter um palácio para mim e muitas riquezas para dar à minha mãe.
Desde
então, Aladino tinha tudo o que
pedia.Um dia apaixonou-se pela filha do sultão que era muito bonita.
feito. Com o poder do anel, pôs o mago bem distante.A partir daí, a sua mãe nunca mais o deixou.