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Adoro receber miminhos. Se me escrever, eu vou publicar os seu textos e comentários, com todo o carinho, pois este é um local de partilha.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A ler...

"Rapariga com brinco de pérola"

de Tracy Chevalier

sábado, 4 de dezembro de 2010

Inspiração....

... em processo de criação. Será desta que cumpro o meu objectivo?

Frio, amor, traição...
sentimentos de um novo romance na calha da minha inspiração.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mulheres da minha vida

Manuel Luís Goucha prima pela excelência a que já nos habituou como entrevistador e fala com as mulheres da sua vida, entre as quais, a senhora dona sua mãe.

Amenas conversas, em ambientes variados e sobre diversos temas. Histórias de vida de vidas com história.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

A criança e os contos de fadas:

"Era uma vez uma menina que vivia num castelo...", é noite e o pai começa a contar a história da Branca de Neve. Mais uma vez. A menina já conhece a história e não é preciso um livro, apenas as palavras do pai que a fazem saltar da cama e entrar no castelo, passear pela floresta e até beijar o princípe. Agora, ela transformou-se na menina que é princesa e cria a história à sua maneira.

Esta é a magia das histórias, mas existem outras ponderações a fazer sobre os contos de fadas. "Cada conto de fadas é um espelho mágico que reflete certos aspectos do nosso mundo interior e os passos exigidos pela nossa evolução da imaturidade para a maturidade."(1)

Eles dão uma permissão implícita à criança para ser a personagem "boa" ou a personagem "má" e exporem os seus medos: o abandono dos pais, o medo dos animais selvagens (tal como o lobo do "Capuchinho Vermelho") ou até o medo da morte, sem terem de, em concreto, falar sobre o que a atormenta. Ouvir de que forma a menina do "Capuchinho" vence o lobo no final, fá-la sentir-se feliz e, durante algum tempo, precisa de ouvir esta história  noite após noite.

"A criança vai fazendo girar os seus fantasmas em torno da história", aprendendo de que forma as suas personagens os poderiam vencer.  Este é "um importante passo para se familiarizar com as reacções paralelas dentro de si."(1)

Num conto de fadas, a certeza do final feliz, permite à criança deixar que o "seu inconsciente", "alinhe com o conteúdo da história."(1)

Para mim, o conto é um caminho para regressar à infância, ou para nos manter-mos por lá por mais uns anos maravilhosos. Afinal, como nos diz Gianni Rodari, "o conto (...) é também um exercício de lógica."(2)


Bibliografia:

(1)-BETTELHEIM, Bruno, "Psicanálise dos contos de Fadas", Bertrand Editora;
(2)-RODARI, Gianni, "Gramática da fantasia", Cadernos: O professor, Caminho;

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sabor a chocolate

Deliciei-me a ouvir um grupo de grandes senhoras, escritoras de renome, numa amena cavaqueira em redor de uma mesa de chocolate acerca de todos os assuntos e mais alguns. Mas o tema era afinal o livro que tinham lançado. Um conjunto histórias ao redor de receitas com chocolate. Mataram maridos, cozinharam-se pavés e bolo mármore,envenenaram o doce com as palavras.
 
Nomes como Rita Ferro, Alice Vieira, Isabel Zambujal, Catarina Fonseca, Leonor Xavier e Maria do Rosário Pedreira, fazem parte deste livro.

sábado, 13 de novembro de 2010

Em processo de criação

Está um dia maravilhoso para ficar em casa a escrever. E é precisamente isso que tenho andado a fazer. Ando em processo de criação. Algo que há muito tempo não fazia. Já sentia falta de me envolver nas teias de uma história e de as enredar até chegar ao fim. Fico sempre com as histórias a meio, pelo menos é essa a sensação que tenho, quando me ponho a escrever.  Deve ser porque não faço planos. Limito-me a ir escrevendo, deixando o enredo tomar o caminho que me parece o mais acertado na altura, mas sem pensar realmente muito nisso.

Um dia, talvez publique aqui algumas coisas. Mas por agora, ainda não.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os vários sentidos dos contos de fadas

Como já abordei aqui, os contos de fadas e as suas personagens, permitem às crianças desde tenra idade auto-construir a sua própria personalidade e ver espelhados os seus receios e angústias mais prementes. Além de a distrair, ele "promove o desenvolvimento da sua personalidade."
"A criança precisa de ideias sobre como pôr a casa interior em ordem e, nessa base, conseguir dar certo sentido à sua vida."(1)

No entanto, nem sempre assim se sucedeu. Na sua origem, "quando foram criados, os contos de fadas não eram destinados às crianças. Tinham o objetivo de solucionar, resolver problemas adultos."(2)


terça-feira, 26 de outubro de 2010

O anjo branco

Estou a ouvir o jornalista José Rodrigues dos Santos a falar no programa "As tardes da Júlia", acerca da sua nova obra.

"O anjo Branco" fala de um médico (baseado na vida do seu pai - José Paz Brandão Rodrigues dos Santos) que viajava pelo distrito de Tete, prestando assistência médica pelas aldeias moçambicanas. Um dia, numa dessas visitas, assiste a um massacre por parte dos comandos portugueses que está até hoje envolto em segredo. Toca-se então no ponto chave do dilema de denunciar ou não esta situação.

Após ouvir a sua descrição do romance e de alguns episódios fiquei com imensa curiosidade e vontade de o ler. Uma história baseada em factos reais, do tempo da guerra colonial. Dele li "O Codex 632" e adorei o tipo de escrita que, apesar de imensa, se lê num fôlego. Ainda tenho alguns romances deste escritor que também quero ler, em particular "O sétimo selo" e "Fúria divina".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Nova página - Escrita Criativa

Neste blogue surgiu mais uma página. Esta é subordinada ao tema: escrita criativa.
Era uma necessidade que eu já vinha sentindo à algum tempo de dar um sentido diferente a este blogue, sem no entanto, pôr de lado tudo o que até aqui tenho feito.
Assim, nesta nova página, há lugar para deambulações pelo mundo da escrita. Sem a obrigatoriedade de escrever sobre alguma coisa, ou de escrever todos os dias. Um espaço para eu escrever o que quiser quando bem entender. E para quem quiser ler, o poder fazer livremente. Comentários?
Sim se faz favor.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nova página

Para os mais distraídos, foi acrescentada mais uma página neste blogue onde constam diversos livros e seus autores. É a minha biblioteca pessoal - parte dela - que quero partilhar com vocês. Aceitam-se comentários e, claro, sugestões de leitura! Se também leram algum destes livros podem partilhar também a vossa opinião!

Boas leituras!!!!

Nobel da Literatura

Foi distinguido na semana passada com o prémio Nobel da Literatura, o escritor e professor Mario Vargas Llosa.

"(...)Maria Vargas Llosa, de 74 anos (28 de Março de 1936), é considerado um dos mais influentes escritores da sua geração.(...)"

"Líder político, ativista pelos direitos do homem, pela igualdade social e pela liberdade, manteve-se sempre fiel a uma luta contínua por um mundo melhor. Resistente como poucos, nunca baixou os braços perante qualquer regime."


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Leitura na pré-adolescência e na adolescência

A idade é uma das predisposições para o tipo de livro que o leitor prefere. Enquanto criança ele prefere histórias maravilhosas, mas ao "entrar na pré-adolescência (...) inicia uma nova etapa marcada por um domínio da leitura que lhe permite ler livros cada vez mais complexos quanto à forma e conteúdo, onde a ilustração é meramente acessória."(1)

Assim por volta dos 12-13 anos, começa uma nova fase da vida do leitor, que tem tudo a ver com os seus próprios interesses e pela descoberta do mundo que o rodeia. Mas agora as questões são outras, os porquês voltam-se mais para um sentido crítico de tudo o que lhe é dado a ler. "Se tudo estiver bem e as outras etapas tiverem sido trabalhadas corretamente, aqui já existe a capacidade de ler textos mais extensos e complexos quanto à ideia, estrutura e linguagem. Começa uma pequena introdução à leitura crítica."(2)

Ao entrar na adolescência, o leitor "tenta confrontar a sua própria experiência com a vivência de outras pessoas através da leitura de diários, biografias, relatos de viagem, crónicas, etc, que o vão preparar para dar o salto definitivo para a literatura dita adulta."(1)

"Aqui já vemos uma maior capacidade de assimilar idéias, confrontá-las com sua própria experiência e reelaborá-las, em confronto com o material de leitura."(2)

O que pode ser difícil nesta fase, são os livros de leitura obrigatória nas escolas, que muitas vezes acabam por ter um resultado diferente do esperado.  Lembro-me quando tive de ler "Os Maias". Na altura emprestaram-me o livro - um de colecção, com capa rija e contornos a dourado, páginas muito finas - e, apesar de até ter gostado um pouco da história, desmotivou-me não ter podido naquela altura ler o livro à minha maneira: caneta na mão, na praia, sem limites de tempo, sem me preocupar com as características das personagens. Li durante o Verão e quando começamos a falar dele nas aulas eu lembrava-me de muita coisa. Naquela altura preocupei-me mais em aprofundar a matéria que era pedida do que em ler de forma apressada e sem prazer aquelas milhentas páginas. Via os meus colegas a ler e a saltar páginas e a dizer que não percebiam nada. Eles passavam as linhas a procurar as respostas às questões colocadas na aula de Português. Eu tinha lido como um romance, durante o Verão, sem pressões de terminar. Só me faltou mesmo poder escrever nas margens e de sublinhar... eu trato muito mal os meus livrinhos.

Ler por prazer é uma coisa, por obrigação é outra. Os jovens afastam-se dos livros, quando se cansam deles na escola. Se as obras fossem tratadas de outra forma, talvez houvesssem mais leitores e estes se mantivessem na idade adulta.

Bibliografia:

(1)-BARROSO, Rita, "Pequenos leitores", Pais e Filhos, Outubro de 2005;
(2)-http://www.lendo.org/desenvolvimento-leitura-criancas-adolescentes/

Terminei "O Físico"

Já terminei de ler "O Físico" de Noah Gordon, no dia 09 deste mês.

Apesar de ser um livro enorme e de ter demorado muito tempo a concluí-lo, adorei.
É uma lição de vida.
A conquista de um rapaz que se torna homem enquanto persegue o seu sonho de se tornar médico, numa sociedade dominada pelos cânones da época. Fala-nos dos paradigmas dessa sociedade e da Religião como uma força que decide a vida de cada um, através da interpretação, muitas vezes abusiva, da palavra de Deus.

Desde o bispo católico ao poder do Xá, passando pelo Judeísmo, numa viagem pelo mundo fora descobrindo o interior do "Eu" e o interior físico do Homem. Passando por histórias de amor e de guerra entre povos do Oriente e por lutas pessoais.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Para visitar

Hoje quero dar a conhecer alguns blogs e páginas sobre a literatura infantil. É uma pequena partilha que poderá ser útil para quem me visita e se interessa pelas histórias e contos para os mais pequenos...

http://www.minutosdeleitura.pt/

Aqui podemos por exemplo consultar alguns dos livros que fazem parte do Plano Nacional de Leitura.

http://www.segredodoslivros.com/livros-infantis-juvenis/index.html

Livros, novidades, sugestões de leitura e passatempos... a visitar!

http://www.casadaleitura.org/

Destinado a pré-leitores... leitores autónomos... todos os leitores...

http://www.planetatangerina.com/publico/index.html

Onde partilham connosco vários títulos publicados.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Noah Gordon

Estou a ler "O Físico" de Noah Gordon, um livro da Biblioteca Sábado - como tantos que tenho - e confesso que ainda não conhecia este escritor. Este é um livro um pouco denso (520 páginas) que já estariam lidas não fosse o facto de ora me apetecer ler de enfiada, ora deixá-lo de lado durante uns dias para ler outras coisas. É que nem sempre um livro me satisfaz o suficiente para me prender a atenção horas seguidas. Por vezes, um livro tem de ser lido e digerido quase página a página, para me conseguir chegar, que é como quem diz, não gosto de ler só por ler, só para passar o tempo. Gosto sim de ler e perceber o que leio, entender a trama, seguir a história de cada personagem, mesmo que para isso, precise voltar atrás um capítulo ou parar durante uns dias a leitura para depois retomá-la com novo fôlego. Aconteceu-me o mesmo quando li "Os Maias" e, mais tarde, quando me aventurei a ler "O nome da Rosa".

Este livro já o estou a ler desde 14 de Julho deste ano. Mas já estou quase no fim...

"Estes foram os últimos momentos de uma inocência abençoada e em segurança que Rob J. viveu, mas, na sua ignorância, ele considerava um infortúnio o facto de ser forçado a permanecer nas proximidades da casa do pai com os irmãos."
GORDON, Noah, O Físico, Biblioteca Sábado. 


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fantoches para contar histórias

A hora do conto pode e deve ser um momento maravilhoso de aprendizagem da língua materna para as nossas crianças desde muito cedo.

Se à história escolhida acrescentarmos algo diferente, este momento torna-se mais rico e muito mais interessante. Imagens, fantoches ou dedoches são apenas alguns exemplos desse tipo de materiais de apoio para contar uma história.

Aqui ficam alguns exemplos:

Dedoches:

"Zebra"

"João e o Pé de Feijão"

Fantoches:


"Crocodilo"



"Os três porquinhos"




Contactar:
Em resposta a esta postagem.

Marcas que representamos:

- Ideas para ninos - Baumann y Trapp S.L.
- The puppet company
- Miniland Baby
- Miniland educational
- SES Creative
- Meyco Hobby


domingo, 5 de setembro de 2010

Bruno Bettelheim

"Bruno Bettelheim (Viena, 28 de Agosto de 1903 — 13 de Março de 1990) foi um psicólogo judeu norte-americano nascido na Áustria."

"Após a anexação da Áustria ao Terceiro Reich, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, ele foi deportado junto com outros judeus austríacos para o campo de concentração de Dachau e, mais tarde, para Buchenwald. Aí pôde observar os comportamentos humanos quando o indivíduo é sujeito a condições extremas, percepcionadas como radicalmente destrutivas (desumanização), que estiveram mais tarde na base das suas teorias sobre a origem do autismo.
Graças a uma amnistia em 1939, Bettelheim e centenas de outros prisioneiros foram libertados, o que lhe salvou a vida. Emigrou então rumo aos Estados Unidos, onde foi professor de psicologia em universidades americanas e dirigiu o Instituto Sonia-Shankman em Chicago para crianças psicóticas, destacando-se o seu trabalho com crianças autistas. Cometeu suicídio em 1990.
Bettelheim é reconhecido como um prestigiado psicólogo na área da psicologia infantil."


Algumas obras de Bettelheim:

1950 Love Is Not Enough: The Treatment of Emotionally Disturbed Children, Free Press, Glencoe, Ill.
1954 Symbolic Wounds; Puberty Rites and the Envious Male, Free Press, Glencoe, Ill.
1959 "Joey: A 'Mechanical Boy'", Scientific American, 200, março de 1959: 117-126.
1967 The Empty Fortress: Infantile autism and the birth of the self, The Free Press, New York
1969 The Children of the Dream, Macmillan, London & New York
1982 Freud and Man's Soul, Knopf, New York
1987 A Good Enough Parent: A book on Child-Rearing, Knopf, New York
1990 Freud's Vienna and Other Essays, Knopf, New York


Mas este foi também um homem controverso.

"Após seu suicídio, emergiu a evidência de lado mais escuro. Seus conselheiros na Universidade de Chicago consideravam-no uma grande figura na psicologia, mas após seu suicídio, três ex-pacientes questionaram seu trabalho e chamaram-no um cruel tirano. Em maio de 2005]], mais de 90 ex-conselheiros e ex-pacientes reuniram-se em Chicago, mais de 30 anos após seu retiro, para ressaltar a importância de Bettelheim em suas vidas. Contrariamente aos opositores de Bettelheim, quem são muito activos nos meios de comunicação, não convidaram a jornalistas à reunião."(2)
Sobre o tema do autismo:

"Bettelheim estava convencido de que o autismo não tinha nenhuma base orgânica, senão que era originado por mães frias e pais ausentes. Toda minha vida, escreveu, tenho trabalhado com meninos cujas vidas têm sido destruídas devido a que suas mães os odiaram. Outros analistas freudianos seguiram Bettelheim na sua teoria de que o autismo dos meninos é gerado na dinâmica intrafamiliar. Bettelheim escreveu um livro entitulado A fortaleza vazia, onde falava a respeito do autismo."

O leitor das palavras

"A principal característica deste leitor é a sua identificação com o herói, que faz dele protagonista das histórias que lê."(1)

Um cantinho da leitura ou uma área de livros é um dos pontos de referência de uma sala de Creche e, mais importante ainda, de Jardim de Infância. Lá mas não só ali, a criança ouve contar uma história, folheia um livro, observa atentamente cada imagem e, até dá os primeiros passos na escrita se para isso encontrar ali os materiais a isso necessários. Ela lê ao seu jeito as histórias dos livros que escolhe e aprende agora a tratá-los bem e a cuidar deles.

Mas quando entra na aventura que é o primeiro ciclo, na sua escola "dos grandes", a criança adquire uma nova relação com o livro. Este, deixa de ser apenas uma fonte de prazer para passar a ser "um instrumento de aquisição e sistematização de saberes."(1)

"Entre os 6 e os 8 anos de idade, o pensamento intuitivo subjuga o processo de leitura onde predomina a fantasia, que ajuda a criança a compreender e a adaptar-se ao mundo real." Esta é de facto, "a base dos contos de fadas e das fábulas mais elaboradas (...) que fazem a criança reflectir sobre os seus próprios problemas."(1)

Na sua essência estes expõem o leitor a dilemas existenciais. "Lidando com problemas humanos universais, especialmente com os que preocupam o espírito das crianças, as histórias falam ao seu ego nascente, encorajando o seu desenvolvimento, enquanto ao mesmo tempo, aliviam tensões pré-conscientes ou inconscientes."(2)

Claro que estas divisões em faixas etárias não são de todo estáticas, como em qualquer processo de desenvolvimento infantil, sendo apenas referências. Ao chegar aos 8, 10 anos, os interesses da criança "vão ser substituídos por uma maior preocupação com o mundo exterior, dando aso a um género de literatura mais realista: livros de consulta, banda desenhada, contos fantásticos, histórias humorísticas e os primeiros livros de aventuras."(1)



Bibliografia:

(1)-BARROSO, Rita, "Pequenos leitores", Pais e Filhos, Outubro de 2005;
(2)-BETTELHEIM, Bruno, "Psicanálise dos contos de fadas", Bertrand Editora;

sábado, 4 de setembro de 2010

Contacto com livros desde cedo:

É quando chega aos 3 anos que a criança começa a demonstrar uma atitude diferente perante os livros. Começa a ter curiosidade sobre o que lá está escrito e a querer entrar no universo de descoberta que os livros lhe oferecem. "O papel de mediador assumido pelo adulto é fundamental, visto que as crianças desta idade, egocentricas por natureza, não conseguem distinguir de forma inequívoca a realidade da fantasia. Cabe ao adulto transmitir-lhes segurança para que entrem sem medo no mundo da ficção."(1)

"A relação que este pequeno leitor estabelece com o livro, está ainda muito dependente das sensações e dos afectos, revelando uma forte ligação com as personagens com as quais se identifica, razão pela qual é indispensável que a problemática inicial seja claramente resolvida através de um final feliz."(1)

Segundo Bettelheim (2), a polarização das personagens em bem e mal, permite que a criança compreenda facilmente a diferença entre ambos os pólos.

"O leitor-ouvinte ainda tem necessidade de narrativas não muito extensas, que possa ir acompanhando por meio de ilustrações."(1)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ler desde cedo - livros para bebés

Quando começa a ter contacto com as primeiras histórias, o bebé fá-lo através da voz da mãe ou do pai que lhe vão despertando os sentidos para as imagens e para as palavras. O que interessa nestes momentos, é a sonoridade das palavras e o embalo da voz de quem lhe fala e conta a história. A repetição das palavras e de sons - em versos simples, lengalengas, ladainhas... atraem o bebé e ajudam-no a desenvolver a sua própria capacidade comunicativa.

Quanto ao livro em si, este "começa por ser um brinquedo igual aos outros que o bebé explora até à exaustão através dos seus cinco sentidos. (...) Por norma, o formato é pequeno e arredondado para facilitar o manuseamento pouco hábil e inexperiente dos mais pequenos, apresentando frequentemente a forma do protagonista da história ou da temática abordada (animais, alimentos, viaturas).. Por vezes, há ainda odores e texturas para cheirar e sentir."(1)
"O bebé com apenas um ano ainda não se interessa pelos aspectos ficcionais do livro, embora aprecie as imagens que servem de pretexto para as tradicionais lengalengas e cantilenas coreografadas pelo adulto. A partir dos dois anos, gosta de pequenas histórias sobre uma situação quotidiana ou um objecto familiar, apontando e nomeando as respectivas ilustrações."(1)



"Por volta dos três anos, a criança já distingue o livro dos outros brinquedos, aprende a manuseá-lo com cuidado, centrando-se na narrativa e na observação atenta das ilustrações."(1)


Bibliografia:

(1)-BARROSO, Rita, "Pequenos leitores", Pais e Filhos, Outubro de 2005;

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

De ouvinte a leitor - a importância de ouvir contar histórias

"Tornar-se leitor implica, obrigatoriamente, passar por diferentes etapas que acompanham o crescimento físico, psíquico, linguístico e afectivo da criança."(1) A criança não nasce leitora nem com a capacidade de o fazer. Ela adquire as competências essenciais à sua realização através de vários processos que, no seu devido tempo, a ajudam a auto-construir-se como pessoa e também a adquirir o gosto pela leitura.

Tanto os pais como os professores e educadores, numa atitude conjunta, têm ter em atenção que "género de livro se adequa melhor ao desenvolvimento da competência de leitura da criança, para não correrem o risco de se perderem no meio da vasta oferta do mercado editorial infanto-juvenil."

O leitor começa por ser um ouvinte de histórias. Uma e outra vez, ora uma, ora outra...

Mas antes, é também um manipulador. Um explorador do livro, como se de um brinquedo se tratasse e que ele enquanto bebé explora com todos os seus cinco sentidos. "Hoje, considera-se que se um exemplar não acabar os seus dias destruído por puxões, riscos, mordidelas e baba, não cumpriu inteiramente a sua função."(1)

Existem diversos tipos de narrativas que devem ser tidas em consideração, tais como, os contos de fadas, as fábulas, os mitos, as lendas... aqui importa também a variedade e ter em conta quais são as necessidades da criança numa determinada fase da sua vida. Mas mais importante que escolher o tipo de leitura é mesmo ler alto para a criança ouvir. Ler e contar uma história são processos diferentes, mas ambos muito importantes, pois ambos são capazes de ajudar a criança a criar o hábito de procurar o conhecimento do qual elas irão precisar. Deve-se sim começar desde muito cedo, mesmo dentro da barriga da mãe. A entoação das palavras e das frases, além do seu significado, desenvolvem a linguagem da criança, as suas competências linguísticas e, mais tarde, formarão o caminho essencial para o desenvolvimento da leitura e da escrita.

Ouvir contar uma história desenvolve também a imaginação das crianças desde muito cedo.



Bibliografia:

(1)-BARROSO, Rita, "Pequenos leitores", Pais e Filhos, Outubro de 2005;

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A importância da leitura

Hoje descobri uma postagem muito interessante, num blogue que costumo seguir e que aconselho a que todos dêem até lá um pulinho e espreitem também.

"Os livros ajudam as crianças a lançarem-se no mundo. E ajudam pais e filhos a estreitarem os laços afectivos."


Capage, Kate (PHD) e Manzak D. W. (MPH)

http://saudeinfantilfeira.blogspot.com/2010/08/importancia-da-leitura-no.html

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mais poesia para ouvir, ler e brincar

Bailado Russo
A mão firme e ligeira

puxou com força a fieira:
e o pião
fez uma eclipse tonta
no ar e fincou a ponta
no chão.
É o pião com sete listas
de cores imprevistas.

Porém,
nas suas voltas doudas,
não mostra as cores todas
que tem:
– fica todo cinzento,
no ardente movimento…
E até
parece estar parado,
teso, paralisado,
de pé.

Mas gira. Até que aos poucos,
Em torvelins tão loucos
assim,
já tonto, baboleia,
e bambo, cambaleia…

 
Enfim,
Tomba. E, como uma cobra,
Corre mole e desdobra
então,
em hipérboles lentas,
sete cores violentas,
no chão.


Origem: Brasil
Guilherme de Almeida

Poesia para Crianças e livros para adultos

Mais uma vez, cabem aqui dois tipos de leituras! Porque ler é importante desde cedo e a diversidade torna o prazer de saber ler (ou ouvir ler) tão rico, aqui ficam duas sugestões. Primeiro para os mais novos, poesia.

A poesia, tal como outros géneros literários, é muito importante no desenvolvimento e aquisição línguística de cada criança. Pequenos poemas, simples com versos curtos e que se podem explorar após a sua leitura em diversos aspectos, tais como o tema, des-construção do poema, percepção dos diferentes significados, treino da leitura.. entre diversas actividades que, além de educativos, poderão também ser divertidos.

Como estes:

A BORBOLETA E A CHUVA


Voa, voa borboleta.
A chuva vem no caminho.
Corre aqui pro meu cabelo
que mamãe chama de ninho.
Vem se esconder borboleta,
eu conheço um bom lugar.
Aqui nesse meu cachinho
a chuva não vai te achar.
Pra onde vais, quando chove?
Por que que nunca te vejo
quando toda chuva cai,
se saber é meu desejo?
Um trovão manda o aviso
e a nuvem cinza abre o véu
e eu te peço borboleta,
não fuja lá para o céu...

Origem: Brasil, autor desconhecido
http://ticeeb.wetpaint.com/page/Poemas+para+crian%C3%A7as


Os gostos de Briolanja


A princesa Briolanja
gostava muito de canja

e de sumo de laranja.
No dia do casamento,
num estremecimento,
em vez de um palácio
pediu uma granja,
para nunca sentir falta
de sumo de laranja
nem do caldinho de canja,
coisa que na Corte
nem sempre se arranja.

Origem: Portugal
José Jorge Letria, Mão-Cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1998.


E agora, para os mais velhos, partilho aqui o livro que me está a fazer "perder" algumas horas, desde meados de Julho... e que ainda não terminei:

"O físico", de Noah Gordon.

Um livro que nos fala dos primórdios da medicina e da cirurgia, quando os barbeiros estraiam dentes e tratavam cortes e feridas, com a sabedoria de quem sabe manejar facas e lâminas afiadas. Um homem que quer ir mais além do que lhe estava destinado e que com a sua persistência vai abrir caminho para a medicina actual poder vingar.

domingo, 15 de agosto de 2010

Livros e material escolar

As férias ainda vão a meio para alguns, mas muitas famílias já começaram ou vão começar em breve a preparar o regresso às aulas. Este ano, como nos anteriores, as despesas são muitas e, pelo menos para as famílias normais, o dinheiro é pouco.

Há que começar a ver quais os manuais pedidos pela escola e procurar as livrarias que os vendem. Muitas vezes acontece que já o ano começou e ainda se espera um ou outro livro que está atrasado. Não é necessário entrar em stress, o melhor é mesmo ir encomendando já e aguardar pacientemente que os ditos cheguem. Mesmo que na escola sejam "exigentes", a criança não deverá ser marginalizada por não ter ainda o manual A ou B. Se necessário, comece por falar com a professora do seu filho, ou peça o livro a um dos colegas que já o tenha e tire cópias das primeiras lições.

O material pedido quando uma criança vai para o 1º ano é também muitas vezes tanto, que os pobres levam uma mochila maior do que eles para a escola. O meu conselho é tentar falar com a professora de forma a perceber como funcionará a dinâmica das aulas e qual o material necessário para ir todos os dias e qual deverá ir apenas ocasionalmente.

O importante é manter uma boa comunicação escola-família, a qual deverá começar mesmo antes do 1º dia de aulas.

Aqui ficam um dos vários exemplos de manuais escolares solicitados:

Externato Nuno Álvares:

Língua Portuguesa - "Pasta Mágica" da Areal Editores
Matemática - "Colecção Fio de Prumo" da Livraria Arnado
Estudo do Meio: "Colecção Fio de Prumo" da Livraria Arnado
Inglês: "Hoola Hoop 1" da Porto Editora

Consoante a escola, os manuais podem diferir. Quem tiver outras listagens que queira ver aqui publicadas é só enviar que eu coloco-as à disposição. Listas de material escolar para o 1º ciclo também seriam importantes partilhar, para vermos quais as semelhanças e diferenças de escola para escola (colégios incluídos).

domingo, 11 de julho de 2010

Ao sabor do Verão...

... Frutos, de Eugénio de Andrade:


Pêssegos, pêras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas: tangerina, tangerina.

sábado, 3 de julho de 2010

Mais algumas propostas literárias


Um livro da autora Alice Vieira e com ilustrações de Madalena Matoso. Divertido, atractivo, com uma presença forte, estimulante, da texto editora.












"O segredo do Rio" de Miguel Sousa Tavares editado pela Oficina do Livro
ISBN: 9789895550760




"O H Perdeu Uma Perna", de Ana Vicente, Madalena Matoso
Editor: Oficina do Livro, da Colecção Mundo de Histórias, aconselhado para crianças a partir dos 6 anos
ISBN: 9789895551194

terça-feira, 29 de junho de 2010

Sugestões de livros para educadores de creche

Um bom educador tem uma boa biblioteca e por isso faço aqui algumas sugestões de obras que considero importantes e que a mim também já ajudaram muito.

Educação de Bebés em Infantários - Cuidados e Primeiras Aprendizagens, de Jacalyn Post
Editor: Gulbenkian - ISBN: 9789723110180

Para quem segue a perspectiva de High Scope e as teorias da aprendizagem activa, nesta obra de Jacalyn Post pode encontrar diversas sugestões devidamente fundamentadas de formas de abordar e promover esta forma de pedagogia numa sala de Creche.
Aqui se diz que as crianças adquirem conhecimento experimentando activamente o mundo à sua volta. No seu processo de crescimento, experimentam sensações e desafios que as fazem seguir em frente. A amplitude e a profundidade de compreensão que a criança tem do mundo estão em constante mudança e expande-se como resultado das suas interacções do dia-a-dia.
Complementa um pouco o "Educar a Criança", este mais direccionada para a faixa etária dos 3 aos 5 anos.


Crianças, Famílias e Creches - Uma Abordagem Ecológica da Adaptação do Bebé à Creche

de Gabriela Portugal
Editor: Porto Editora - ISBN: 978-972-0-34727-5 - Colecção: CIDINE

Embora os objectivos predominantes das creches sejam os de guarda, protecção e cuidados à criança, a grande questão que se coloca à educação colectiva a partir dos primeiros meses de vida é a de saber se para a criança isso é uma coisa boa ou não. Será que as Creches são mesmo um mal necessário da sociedade actual? Trata-se de uma questão em relação à qual existe bastante controvérsia.
Este livro pretende destacar toda a interacção criança-família-creche, esclarecendo quais os factores ou combinação de factores que colocam o bebé em situação de mal-estar apontando pistas para a optimização dos contextos educativos onde a criança se desenvolve.





sábado, 19 de junho de 2010

Ler +

O Ministério da Educação lançou o projecto Ler + , o qual tem como objectivo aumentar a literacia em Portugal.

Está provado que o hábito de leitura estimula a aprendizagem das crianças e promove o sucesso escolar. Os hábitos de leitura devem incutir-se desde muito cedo, antes da criança começar a frequentar a escola.

É através dos livros que as crianças percepcionam o mundo e são os pais e educadores quem devem incutir o hábito de leitura nos mais pequenos. Quem gosta de ler possui, em regra, uma melhor cultura geral. Os hábitos de leitura promovem também uma melhor capacidade de interpretação e redacção de textos e desenvolvem a imaginação. Ao promover a literacia, o hábito de ler ajuda portanto as crianças a terem um melhor aproveitamento escolar.

Aponte alguns truques que podem ajudá-lo a fazer com que a leitura seja uma prática frequente por parte dos seus filhos. Deixe que as crianças cresçam rodeadas de livros e conte-lhe histórias adequadas à sua idade. Os livros de tecido e de cartão rígido com imagens grandes e coloridas são óptimos para despertar os sentidos dos bebés com poucos meses. À medida que crescem, é normal que os seus gostos de leitura mudem e, enquanto uns gostam de ler os clássicos da literatura infantil, outros podem preferir a banda desenhada. Não se preocupe, o mais importante é que nunca percam o hábito de ler.

Fonte:
http://www.zippy.pt/Encyclopedia/Detail/como-incutir-habitos-de-leitura-nas-criancas_1aeeca26d54a

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Faleceu José Saramago

Faleceu na ilha de Lanzarote com 87 anos, o Nobel Português da Literatura José Saramago, vítima de cancro (ou doença prolongada, como agora lhe chamam).

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.

Os seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha três anos de idade. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas. No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista.

Publicou o seu primeiro romance «Terra do Pecado», em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista Seara Nova.

Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal Diário de Lisboa onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do Diário de Notícias.

A partir de 1976 passou a viver exclusivamente da escrita, inicialmente como tradutor, depois como autor. Em 1980, alcançou notoriedade com o livro «Levantado do Chão», visto hoje como o seu primeiro grande romance. «Memorial do Convento» confirmaria esse sucesso dois anos depois.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Feliz Dia!

A todas as crianças, as que são e as que já foram. As que ainda sonham e as que sabem sonhar.
Às que desejam e às que concretizam.
Porque importa não só marcar um dia com prendas, lembranças ou actividades diferentes, importa sobretudo reflectir acerca da Infância, dos seus desafios e das suas peculariedades.
Porque a Infância não é um dia, é um período de uma vida, que deixa uma marca profunda no Ser, no Saber, no Estar. No carisma, nas vontades e nos sonhos, no acreditar e no não-acreditar, no ter fé, no ansiar e no pensar.

Por isso, um Feliz dia a todos aqueles que realmente se importam com a Infância, com as nossas crianças e com as crianças do Mundo, meninos sem pátria, sem ninguém, mas com vontade de ser meninos, de crescer, de sonhar...

sábado, 22 de maio de 2010

Pequenas histórias... para sonhar.


A menina borboleta

Nasceu num casulo no meio da cidade.
Não sabe quem é nem de onde veio, apenas que um dia o Sol começou a entrar de mansinho pelas frestas do seu casulo e a despertou.
Abriu as asas, espreguiçou-se.
Bateu a asa esquerda, depois a direita.
E depois as duas e voou dali para fora.
Primeiro pousou numa rosa branca, num vaso, numa varanda de uma casa de uma grande cidade.
Depois voou e foi até ao cabelo de uma menina loira que brincava no jardim da escola primária.
Ali ficou naquele campo de trigo doirado que saltitava por todo o lado.
Ali ficou para sempre até a menina crescer e deixar de ser criança e ser mulher.
A menina era Maria Borboleta e ela... a borboleta da Maria.

Elsa Filipe.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vem aí...

... o dia da Criança!

Que se comecem os preparativos para um dia especial!


terça-feira, 18 de maio de 2010

Branca de Neve

Da Disney, para os mais novos, um site divertidíssimo, onde se pode entre outras coisas entrar no mundo mágico da Floresta encantada e de Branca de Neve. Adorei e perdi-me por lá.

http://www.disney.pt/disneydvds/brancadeneve/

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"Alice no país das Maravilhas"

"Alice in Wonderland" é uma das mais célebres do género literário surrealista e a obra mais conhecida do professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudónimo de Lewis Carroll, que a publicou a 4 de julho de 1865. 

Mas "Alice" voltou a povoar o nosso imaginário quando Walt Disney a transformou num dos mais famosos filmes de animação (que recordo plenamente da minha infância), bem como de livros infantis que a imortalizaram.


E, agora, Tim Burton dá continuidade à conhecida história criada por Lewis Carroll.
Alice é agora uma rapariga de 19 anos, que foge de um casamento por conveniência. A história mudou, mas continua a dar que falar e a emocionar. Cinquenta anos depois do filme de animação "Alice no País das Maravilhas", a Disney deu carta branca a Tim Burton para actualizar a fantasia em três dimensões.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Feliz Páscoa!

Com algum atraso é certo (perdoem-me mas ando com a cabeça noutras coisas e esqueço-me muito do meu cantinho)... mas aqui ficam alguns miminhos para os mais novos.

              

domingo, 21 de março de 2010

Dia do Pai

Ando um pouco desleixada deste blog é uma verdade. As ideias vão ficando na gaveta e o tempo vai passando. Talvez isto se deva ao trabalho, ou a uma nova etapa na minha vida, mas isso agora não interessa nada. O que importa é que na sexta-feira se festejou o dia do pai.




Pelo Mundo este dia é comemorado em diversas datas. Aqui ficam alguns exemplos:
Na Itália e Portugal, por exemplo, a festividade acontece no mesmo dia de São José, 19 de Março. Apesar da ligação católica, essa data ganhou destaque por ser comercialmente interessante.
Reino Unido - No Reino Unido, o Dia dos Pais é comemorado no terceiro domingo de Junho, sem muita festividade. É comum os filhos agradarem os pais com cartões e não com presentes.
Argentina - A data na Argentina é festejada no terceiro domingo de Junho com reuniões em família e presentes.
Grécia - Na Grécia, essa comemoração é recente e surgiu do embalo do Dia das Mães. Lá comemora-se o Dia dos Pais em 21 de Junho.
Canadá - O Dia dos Pais é comemorado no dia 17 de junho. Não há muitas reuniões familiares, porque ainda é considerada uma data mais comercial.
Alemanha - Na Alemanha não existe um dia oficial dos Pais. Os pais alemães comemoram seu dia na mesma data que Jesus Cristo ressuscitou. Eles costumam sair às ruas para andar de bicicleta e fazer um piquenique.
Austrália- A data é comemorada no segundo domingo de setembro, com muita publicidade.
Rússia - Na Rússia não existe propriamente o Dia dos Pais. Lá os homens comemoram seu dia em 23 de fevereiro, chamada de "o dia do defensor da pátria" (Den Zaschitnika Otetchestva).



Para dar ideias de trabalhos e lembranças para oferecer já existem outros blogues, mais especializados nessas andanças do que eu, pois para estas coisas sabe quem me conhece que não tenho jeiteira nenhuma! Aqui ficam algumas ideias de leituras, para miúdos e graúdos:
 
 












Um pai é capaz de se transformar nas coisas mais incríveis: num tractor, num escadote, num colchão ou num esfregão... Este é um livro sugerido pelo Planeta Tangerina e que olha de perto a relação de cumplicidade entre pai e filho. E que convida filhos e pais a descobrirem-se juntos, ao virar de cada página.



"Inventem-se novos pais" - de Daniel Sampaio. Editora Caminho. Um livro para os mais velhos lerem, a pensar na educação dos mais novos e principalmente nos seus receios como pais. Porque há pais apenas, os "maus pais" nem pais deviam ser chamados.

sábado, 6 de março de 2010

Os ovos misteriosos

Para explorar com os mais pequenos e, quem sabe, começar a trabalhar a Páscoa a par com outros conceitos, aqui fica uma sugestão de um livro muito interessante.

Quem já o tiver explorado convido a contar como foi, que reacções teve, etc.
Boas leituras!

Memórias...

... de uma Gueixa

"Uma história como a minha nunca devia ser contada..."

Uma história de vida transmitida hoje pela TVI. Eu li o livro em tempos e foi daqueles que mais me impressionou pela dureza e pela forma como nos conseguimos embrenhar no enredo, sentir a dor, as alegrias, a tristeza e a esperança de uma criança que se vem a tornar numa das mais conceituadas gueixas do seu tempo.

Para quem não vir o filme, recomendo o livro. Uma verdadeira obra de arte

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mia Couto

Quem foi Mia?

António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um escritor moçambicano, filho de portugueses que emigraram a Moçambique nos meados do século XX. Nasceu e foi escolarizado na Beira.

Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se à cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações pelos colonos em Setembro de 1975.

Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985.

Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, ele é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista "Isto É".

A Chuva Pasmada, de Mia Couto

"A CHUVA PASMADA" traz-nos a história surpreendente de uma chuva suspensa no ar, que se recusa a emprenhar a terra árida. É um cacimbo indeciso que enlouquece todos. Porém, é a loucura desta "inundação sem chão" que faz com que as almas, até aí secas de sonhos e de segredos abafados, se desvelem e procurem a água umas nas outras. A história é contada na primeira pessoa, por um narrador participante, em jeito de memória de adolescência de uma criança que observa as personagens nas suas mutações.


O avô velho era como que um "rio seco que fluía num sonho" de navegar até chegar ao mar. Ficara assim depois da mulher, que considerava a sua água, morrer, pois ligavam-se "como a aranha e o orvalho, um fazendo teia no outro". O pai, mais velho que o avô, porque "a velhice não é uma idade, é uma desistência", estava pasmado como a chuva, estancara-se junto à vida, sufocado pelo próprio umbigo.

A mãe, com segredos de "mulher e água", o amor pelo seu homem que não a procurava, pois desistira dela como da vida. Mas "o amor não é a semente, é semear" e ela consegue inundá-lo de sangue, de amor, provocando-lhe ciúme. A tia com "propósitos de sombra", nunca casara, e via na indecisão da chuva um castigo para a sua secura.

O avô, detentor da memória maior é o elo entre todos e obstina-se em fazer a sua viagem. As pontes entre o céu e a terra são criadas e a chuva resolve cair. Cumpre-se a intenção do avô: "ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós". .".

Dia de Chuva

Hoje é daqueles dias em que só apetece ficar em casa no quentinho a ver televisão ou a ler um bom livro. Estou de Férias ainda por mais uns dias e este tempo chuvoso traz-me alguma nostalgia. Adoro a chuva, ouvir o vento bater nas persianas e os pingos a cair no vidro. Aqui não tem muita piada, mas quando era mais nova adorava passar horas à janela a ver a chuva cair e encher as ruas de água.

Hoje é um dia triste, pois a chuva também já fez vítimas. Aqui tem havido apenas alguns aguaceiros, nada de mais, mas noutras zonas do país a intempérie é vivida com angústia...

Aqui vos deixo a letra de uma canção de Mariza, que adoro.

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história

da história da gente

e outras de quem nem o nome

lembramos ouvir

São emoções que dão vida

à saudade que trago

Aquelas que tive contigo

e acabei por perder

Há dias que marcam a alma

e a vida da gente

e aquele em que tu me deixaste

não posso esquecer

 

A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Já eu percorrera

 

Ai... meu choro de moça perdida

gritava à cidade

que o fogo do amor sob chuva

há instantes morrera

 

A chuva ouviu e calou

meu segredo à cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

António Torrado - o autor e a sua obra

António Torrado nasceu em Lisboa em 1939. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Coimbra.


Dedicou-se à escrita desde muito novo, tendo começado a publicar aos 18 anos. A sua actividade profissional é diversa: escritor, pedagogo, jornalista, editor, produtor e argumentista para televisão.

Tem trabalhado em parceria com Maria Alberta Menéres em diversos livros e programas de televisão. Actualmente, é Coordenador do Curso Anual de Expressão Poética e Narrativa no Centro de Arte Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian.
É o professor responsável pela disciplina de Escrita Dramatúrgica na Escola Superior de Teatro e Cinema.
É dramaturgo residente na Companhia de Teatro Comuna em Lisboa. Sendo consensualmente considerado um dos autores mais importantes na literatura infantil portuguesa, possui uma obra bastante extensa e diversificada, que integra textos de raiz popular e tradicional, mas também poesia e sobretudo contos.

 


Obras para a infância:
  • A Chave do Castelo Azul (Lisboa: Plátano, 1969; 2ªed., 1981);
  • A Nuvem e o Caracol (Lisboa: Edições Afrodite, 1971; 4ª ed., Porto: Asa, 1990);
  • O Veado Florido (Lisboa: Ed. O Século, 1972; 5ª ed., Porto: Civilização, 1994);
  • Pinguim em Fundo Branco (Lisboa: Ed. Afrodite, 1973; 2ª ed., Plátano Ed., 1979);
  • O Rato que Rói (Lisboa: Plátano, 1974); O Jardim Zoológico em Casa (Lisboa: Plátano, 1975; 3ª ed., 1980);
  • O Manequim e o Rouxinol (Porto: Asa, 1975; 3ª ed., 1987);
  • Cadeira que Sabe Música (Lisboa: Plátano, 1976);
  • Hoje Há Palhaços (com Maria Alberta Menéres; Lisboa: Plátano, 1977, 2ª ed., 1978);
  • Joaninha à Janela (Lisboa: Livros Horizonte, 1977; 2ª ed., 1980);
  • Há Coisas Assim (Lisboa: Plátano, 1977);
  • O Trono do Rei Escamiro (Lisboa: Plátano, 1977);
  • A Escada de Caracol (Lisboa: Plátano, 1978; 2ª ed.,1984);
  • História Com Grilo Dentro (Porto: Afrontamento, 1979; 2ª ed., 1984);
  • Como se Faz Cor-de-Laranja (Porto: Asa, 1979; 5ª ed., 1993);
  • Vasos de Pé Folgado (Lisboa: Caminho, 1979);
  • O Tambor-Mor (Lisboa: Livros Horizonte, 1980);
  • O Tabuleiro das Surpresas (Lisboa: Plátano, 1981);
  • O Pajem Não se Cala (Porto: Civilização, 1981; 2ª ed.,1992);
  • O Mercador de Coisa Nenhuma (Porto: Civilização, 1983; 2ª ed., 1994);
  • O Livro das Sete Cores (com Maria Alberta Menéres; Lisboa: Momos, 1983);
  • Caidé (Porto: Afrontamento, 1983);
  • Os Meus Amigos (Porto: Asa, 1983; 3ª ed.,1990);
  • História em Ponto de Contar (com Maria Alberta Menéres; Lisboa: Comunicação, 1984; 2ª ed., 1989);
  • O Adorável Homem das Neves (Lisboa: Caminho, 1984; 3ª ed.,1995);
  • O Elefante Não Entra na Jogada (Porto: Asa, 1985; 3ª ed., 1990);
  • O Vizinho de Cima (Lisboa: Livros Horizonte, 1985);
  • A Janela do Meu Relógio (Lisboa: Livros Horizonte, 1985);
  • O Rei Menino (Lisboa: Livros Horizonte, 1986);
  • Dez Dedos de Conversa (Lisboa: O Jornal, 1987);
  • Como se Vence um Gigante (Lisboa: Livros Horizonte, 1987);
  • Devagar ou a Correr (Lisboa: Livros Horizonte, 1987);
  • Zaca-Zaca (teatro; Lisboa: Rolim, 1987);
  • Uma História em Quadradinhos (com Maria Alberta Menéres; Porto: Asa, 1989; 2ª ed., 1992);
  • Dez Contos de Reis (Lisboa: O Jornal, 1990);
  • Da Rua do Contador para a Rua do Ouvidor (Porto: Desabrochar, 1990);
  • André Topa-Tudo no País dos Gigantes (Porto: Civilização, 1990);
  • Toca e Foge ou a flauta sem Mágica (Lisboa: Caminho, 1992);
  • Vamos Contar um Segredo (Porto: Civilização, 1993);  
  • Conto Contigo (Porto: Civilização, 1994 (Lisboa: Plátano, 1976);
  • Teatro às Três Pancadas (teatro; Porto: Civilização, 1995);
  • A Donzela Guerreira (teatro; (Porto: Civilização, 1996);
  • As Estrelas – quando os Reis Magos eram príncipes (Porto: Civilização, 1996);
  • Vassourinha - Entre Abril e Maio (ilustrações de João Abel Manta, Campo das Letras, 2001);
  • Ler, Ouvir e Contar (ilustrações de Zé Paulo e Vítor Paiva, Campo das Letras, 2002; 4ª ed. 2006);
  • Verdes São os Campos (Campo das Letras, 2002);
  • Este Rapaz Vai Longe - Fernando Lopes-Graça quando jovem (ilustrações de Cristina Malaquias, Campo das Letras, 2006);
  • Corre, Corre, Cabacinha (ilustrações de Nelson Maia, Campo das Letras, 2007);
  • A Casa da Lenha - No centenário do nascimento do compositor Fernando Lopes-Graça (Campo das Letras, 2007).

Algumas obras de Antº Torrado

António Torrado pode ser visto como um dos escritores infanto-juvenis mais dotado da actualidade, com uma bibliografia já vasta, nesta difícil modalidade. O verdadeiro escritor para crianças será sempre aquele capaz de comunicar a sua mensagem humana e artística com a pureza e a claridade que exige o coração e a mentalidade infantil. É um dom. Nasce-se escritor de literarura destinada aos pequenos leitores, como se nasce poeta, pintor, músico.

António Torrado possui esse dom e, uma vez mais, o comprova neste seu recente livro, intitulado 100 histórias bem dispostas, com o sub-título: Pequenas histórias divertidas para todas as ocasiões.

São, de facto, pequenas, pois cada uma delas não ocupa mais do que duas páginas da obra. Mas todas elas cheias de graça e fantasia, onde os animais, o habitual bestiário que a criança adora, é o mais saliente protagonista.

Na capa, António Torrado, tão risonhamente, esclarece:
"São 100 histórias bem-dispostas, muito contentes por estarem juntas, e foram escritas por recomendação do meu médico:
- O Senhor tem de contar, ao mínimo, uma história por dia, entre as refeições. Para se sentir em forma e com boa disposição, não há melhor remédio. Assim tenho feito e sinto-me muito bem. Diz-me, agora, o médico, que ler todas os dias uma história destas também faz muito bem à saúde".

 Abençoada receita, digo eu. As ilustrações, de Maria do Carmo Cunha, merecem, também, nota alta.

(adaptado de: http://www.leitura.gulbenkian.pt/index.php?area=rol&task=view&id=29959)

António Torrado

Andava aqui nas minhas pesquisas quando descobri uma grande memória da minha infância: António Torrado. Eu adorava as histórias dele e, confesso que ainda me fascinam. Continuo a adorar um bom livro. Aqui ficam algumas narrativas e um pouco da história deste tão grande homem e escritor.

Esta é pequenina, só para começar...

A bola de pingue-pongue:

Era uma vez uma bola de pingue-pongue.


Um dia, a bola de pingue-pongue disse assim:

- Já chega de andar aos trambolhões de um lado para o outro: encontrão daqui, safanão ali, toma lá, dá cá e volta ao princípio, numa roda viva entres duas senhoras raquetes. Afinal nunca passo da mesma mesa.

Realmente, aquela vida de tão, badalão, e torna e deixa o pingue e pongue e pongue e pingue cansava qualquer um, quanto mais uma bola de pingue-pongue com aspirações a outros voos?

- Ainda se fosse uma bola de futebol - suspirava ela. - Corria o campo de lés a lés e, quando fugisse para dentro das redes, punha tudo a gritar: goooolo! Era mais emocionante. Mas, mesmo assim, deve haver melhor destino.

É que havia mesmo. E a pequenina bola de pingue-pongue queria conhecê-lo. Ser bola de futebol, de basquetebol não lhe bastava. O que ela queria era correr mundo!

E foi. Saltaricou da mesa para o chão, desceu escadas, escorregou por colinas, e foi ter - vejam bem a sorte que ela teve! - e foi ter a um sítio muito especial, que era assim a modos que um centro espacial. Deste centro especial espacial atiravam para os céus bolas e bolinhas, que uma vez lá de cima, a dançar no meio dos astros, lançavam para a terra uns sinais esquisitos - bip! bip! bip! - como se fossem grilos? Mas não eram grilos essas bolas espaciais. Eram satélites dos artificiais.

- Se as outras conseguem, também eu hei-de conseguir - pensou a bola de pingue-pongue.

Ela que sabia dizer "pingue" e "pongue", e "pongue" e "pingue", depressa aprendeu a dizer "bip!" "bip!" "bip!". Não custava nada.

E lá foi pelos ares, viajante do espaço, à roda do mundo, tão redondo como ela.

- Ena tantas bolas! - exclamou a bola de pingue-pongue, quando se viu lá no alto, a rodar entre planetas. - Afinal somos todas da mesma família. Umas maiores, outras mais pequenas, mas redondas todas. Que seria do mundo, se não fossem as bolas?

E, de contente que estava, soltou um "bip! bip!" mais forte, que atravessou o espaço e atarantou as estrelas lá do fundo.

- Tirem-me de ao pé de mim este satélite maluco. Não consigo dormir em paz - gritou a Lua, que é assim uma espécie de bola de pingue-pongue, mas em grande.

Os sábios fizeram a vontade à Lua e mandaram descer a nossa bolinha de pingue-pongue.

- Estou satisfeita - contou a bola, ao regressar à Terra. - Vi o que queria e fiquei consolada de ver tantas bolas irmãs a navegar pelo céu. Agora quero repousar.

Mas onde? Numa gaveta não parecia bem. Era um fim pouco digno para uma bola que correra tantas aventuras. Então um dos sábios, olhando para o calmo jardim do centro espacial, teve uma ideia - ou não fosse ele um sábio?

Equilibrou-a no alto de um repuxo no meio do tanque do jardim.

Depois de ter visto tudo, de ter rolado e saltitado pelo espaço além, a bola descansa, a recordar o que vira. E suspira, satisfeita:

- Está-se bem aqui.